A batida das ondas fortes nas pedras da beira-mar de Brasília Teimosa promove uma diversão popular e muito disputada nos dias de marés altas. Para os moradores do bairro da Zona Sul do Recife, a brincadeira é considerada patrimônio local. Atrai gente de todas as idades. O “banho de choque” renova, alegra e é de graça.
A expressão “banho de choque” é usada para descrever o que acontece quando as pessoas são molhadas pelas águas que “explodem” nos paredões e ganham alturas que cobrem os banhistas. Quanto mais força tiver a onda, maior será o impacto da água. Daí vem o “choque”.

Mas nem sempre Brasília Teimosa teve uma orla bonita e atraente. Por muitos anos, os moradores viveram em palafitas e em condições subumanas. Quando a maré estava alta, as moradias eram invadidas pelas águas e muita gente perdia o pouco que tinha.
Depois da inauguração da nova avenida e da abertura de bares e restaurantes em sua orla, Brasília Teimosa passou a fazer parte do roteiro de visitas de recifenses, moradores de outros municípios do estado e também de turistas. Para chegar ao Parque das Esculturas, por exemplo, é preciso passar pela Avenida Brasília Formosa.

“Vem gente de todo lugar tomar esse banho do choque. Além de quem mora aqui, chegam pessoas de carros e bicicletas para aproveitar a brincadeira”, conta o comerciante Urik da Silva, proprietário do Bar do Peixe, restaurante que fica em frente ao paredão da orla de Brasília Teimosa. Nos momentos de folga, ele também aproveita o banho de choque.

Grande parte dos moradores de Brasília Teimosa é de pescadores e comerciantes. Ganham a vida a partir da beleza que está na porta das suas casas. Uma colônia de pescadores funciona na comunidade e vende peixes para muitos consumidores do Grande Recife.

Outra curiosidade do bairro é que várias de suas ruas foram batizadas com nomes de peixes. Badejo, Atum, Salmão, Albacora, Saramunete, Espadarte, Serra e Arabaiana são apenas algumas delas.



