Filho de Maristela Just, morta pelo ex-marido em 1989, vai lançar livro. Ele foi baleado pelo pai

Quando tinha dois anos de vida, Zaldo Just Neto viu a mãe, Maristela Just, 25 anos, ser assassinada a tiros pelo pai dele e ex-marido dela, José Ramos Lopes Neto. O homem não aceitava o fim do casamento. O crime aconteceu na casa dos pais de Maristela, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, em abril de 1989. Passados 37 anos do crime, Zaldo vai publicar um livro relatando tudo o que a família enfrentou.

Além de assassinar a ex-mulher, José Ramos atirou também no irmão dela, Ulisses Just, que tentou socorrer a irmã, e disparou ainda contra os próprios filhos, Natália, 4 anos, e Zaldo. Todos estavam dentro de um quarto quando José Ramos sacou a arma e começou a efetuar os disparos. Maristela foi atingida por três tiros e morreu na hora.

Zaldo Just tinha apenas dois anos quando a mãe foi morta na frente dele e da irmã pelo próprio pai. Foto: Arquivo Pessoal

O casal já estava separado havia um tempo, mas José Ramos foi até a casa do ex-sogro quando voltava do médico com as crianças e com Maristela e pediu para conversar na tentativa de reatar o casamento. Foi quando começou a atirar. José foi preso em flagrante, mas foi solto tempo pouco depois do crime. Somente em 2010, ele foi julgado e condenado a 79 anos de prisão.

Apesar da condenação, José Ramos estava solto desde a década de 1990. Não compareceu ao fórum e foi julgado à revelia. A prisão só aconteceu dois anos depois, em 2012, quando era considerado foragido. Ele foi preso pela equipe do delegado Cláudio Castro, então titular do Grupo de Operações Especiais da Policia Civil (GOE), na Zona Norte do Recife.

Após muitos anos de impunidade, José Ramos foi preso em 2012. Foto: Reprodução Rede social Zaldo Just/Diario de Pernambuco

Com o título O peso de um passado, o livro escrito por Zaldo traz relatos e todas as informações relativas ao caso Maristela Just. Ele fala desde o casamento da mãe com José Ramos até os dias atuais, passando por uma infância traumática e sua atenção ao tema feminicídio. O material está sendo editado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

“Eu abordo desde questões de antes da separação da minha mãe, passando pelo assassinato, pelos meus desafios médicos na infância. Trago situações de bullying que enfrentei, toda a impunidade processual, fotos do processo e inúmeras situações vividas em família naquele período. Falo também do Centro Maristela Just, que homenageia minha mãe”, adiantou Zaldo.

Zaldo Just (camisa azul à esquerda) com equipe do Centro Maristela Just. Foto: Arquivo pessoal

Na época, o crime teve bastante repercussão na imprensa e foi destaque nos principais jornais e telejornais do estado por vários dias. Como repórter do Diario de Pernambuco, acompanhei o julgamento e a prisão de José Ramos, que foi preso com cabelos longos e barba grande, bastante diferente da sua imagem à época do crime.

Recentemente, a escritora Gloria Perez publicou em seu perfil no Instagram uma foto de Maristela Just com os filhos Natália e Zaldo. Ela falou sobre o crime cometido por José Ramos e do livro escrito pelo filho caçula de Maristela. Zaldo, que foi baleado na cabeça, carrega até hoje sequelas em seu corpo. Natália foi atingida no ombro e perdeu parte dos movimentos de alguns dedos das mãos. Já o tio das crianças, irmão de Maristela, foi baleado no peito. Ainda não há data definida para o lançamento do livro.

Reprodução: Instagram Gloria Perez




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