A morte de um garoto de 13 anos na semana passada trouxe à tona, mais uma vez, o medo que muitas pessoas têm de tomar banho de mar no litoral do Grande Recife. O adolescente foi mordido por um tubarão cabeça-chata de aproximadamente 3,5 metros, segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), quando tomava banho na Prai Del Chifre, em Olinda.

Esse é o incidente de número 82 desde que o estado passou a registrar os ataques oficialmente. Vinte e sete pessoas morreram. No entanto, no dia 10 de outubro de 1947, um frei da ordem dos carmelitas morreu após ser atacado por um tubarão nas proximidades da Igrejinha de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Mesmo local onde foi morta a primeira vítima notificada pelo estado, em junho de 1992.

O frei Serafim de Oliveira, 25 anos, tomava banho com um grupo de padres perto da Capela Nossa Senhora da Piedade quando foi atacado pelo tubarão. O caso foi noticiado pelo Diario de Pernambuco. Ele teve a parte inferior do corpo arrancada, a outra metade do corpo foi encontrada na praia no dia seguinte. Os restos mortais do religioso estão sepultados no ossuário da Basílica do Carmo, no Centro do Recife.
Após a morte do frei, o convento que ficava na Capela de Nossa Senhora da Piedade ficou alguns meses fechado, pois os padres e freis ficaram com medo de frequentarem o local que antes era uma opção de passeio devido ao risco dos ataques no mar. Em 11 de novembro de 1980, um adolescente de 16 anos também morreu no mesmo local após ser atacado por tubarão.

Placas de orientação e alerta para a possbilidade de ataques de tubarão foram instaladas ao longo de toda orla. Dos 82 incidentes notificados pelo governo do estado, 21 aconteceram em dias de domingo. As praias de Boa Viagem e Piedade lideram as estatísticas com 24 e 23 ocorrências, respectivamente. Entre as vítimas estavam 69 homens, nove mulheres e quatro não tiveram o sexo identificado.

O tema tuburão sempre mexeu muito com o povo pernambuco. Muita gente vai às praias mas não entra no mar. Antes mesmo do boom de ocorrências envolvendo o animal marinho por aqui, em 1975, longas filas eram formadas nos cinemas para assistir ao filme Tubarão. Fiz uma reprodução de uma foto publicada pelo Diario de Pernambuco e que hoje está ampliada no interior do prédio onde funcionou o cinema Moderno, na Praça Joaquim Nabuco.



